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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

RESENHA: CRIAÇÃO


CRIAÇÃO - CREATION
Biografia, Drama
País: Inglaterra - 2010
Dir: Jonh Amiel
Com: Paul Bettany, Jennifer Connelly, Benedict Cumberbatch

SINOPSE:
Após sua famosa viagem ao redor do mundo, no lendário navio Beagle, Charles Darwin (Paul Bettany) agora casado e com filhos, vive um dilema quanto a publicar ou não suas descobertas sobre a evolução no seu livro A ORIGEM DAS ESPÉCIES.

Enquanto matura suas idéias de 20 anos e prepara o revolucionário livro, Darwin evita decepcionar sua adorada prima e esposa Emma (Jennifer Connelly), bastante religiosa, já que sua teoria desconsidera e até mesmo invalida partes dos textos sagrados da bíblia, o que nunca foi sua intenção.

Por quanto tempo mais ele vai ficar escondendo do mundo a mais poderosa das idéias?

O drama de Darwin e esposa se intensifica com a doença terminal de sua filha Annie, aumentando mais ainda o distanciamento do casal.

-x-

Interessantíssimo filme, que nos brinda com uma visão de como teria sido a fase pré publicação do "livro que matou Deus", A ORIGEM DAS ESPÉCIES, de Charles Darwin, o "Pai da Evolução".

O ótimo roteiro, baseado num livro de um tataraneto de Darwin, Randal Keynes, mostra um cientista ainda com alguma fé, mas tendo que contestá-la, numa sociedade bastante presa a antigos valores cristãos, em que, por exemplo um padre pode castigar filhos de fiéis, e nenhum questionamento deve ser emitido contra os princípios religiosos vigentes.

Darwin aos poucos é convencido por amigos que sua idéia, de que todos os seres evoluem, é a expressão da realidade, e termina com medo de que outro cientista, (Alfred Russell Wallace), publique uma teoria parecida primeiro que ele, então precisa decidir se lança logo seu livro.

O filme mostra o sofrimento daquela época, quanto às doenças ainda sem cura, e é doloroso assistir ao casal Darwin perder filhos em lenta agonia, o que ajuda a Charles a se posicionar mais duramente contra a religião já abalada.

O filme chega a ser tocante em alguns momentos, lacrimejante até, e ressalta mais o lado humano e simples de Charles Darwin do que seu lado científico, "frio e racional", como seria de se esperar.

Adorei a interpretação de Paul Bettany (parecidíssimo com o Darwin real), que aqui praticamente repete seu papel do naturalista do filme "O MESTRE DOS MARES", resenhado anteriormente no blog. 

Curiosidades:
Paul é casado com Jennifer Connelly.

O livro A ORIGEM DAS ESPÉCIES foi considerado o mais importante do milênio.

No lançamento em 1859, o livro se chamava "SOBRE A ORIGEM DAS ESPÉCIES POR MEIO DA SELEÇÃO NATURAL OU A PRESERVAÇÃO DE RAÇAS FAVORECIDAS NA LUTA PELA VIDA"

Nota 9

Para ler somente postagens filtradas com Filmes, ou Livros por exemplo, clique aqui embaixo ao lado de "MARCADORES" na palavra desejada. Se clicar em Darwin, lerá outros posts sobre ele..."

terça-feira, 17 de setembro de 2013

RESENHA: LIVRO O GENE EGOISTA - RICHARD DAWKINS


O GENE EGOÍSTA - THE SELFISH GENE
Richard Dawkins - 1976

SINOPSE:
É um livro sobre ciências biológicas, em termos simples, para aquela pessoa intrigada com assuntos sobre evolução e comportamento.

O autor vai ao âmago da questão de maneira clara e sem rodeios, e com propriedade nos brinda com horas de leitura deliciosa, e extremamente instrutiva.


(Início do prólogo pelo fundador da Sociobiologia, Robert Trivers)
"O chimpanzé e os seres humanos compartilham cerca de 99,5 por cento de sua história evolutiva, no entanto a maioria dos pensadores humanos considera o chimpanzé uma excentricidade malformada e irrelevante, enquanto se vêem a si próprios como degraus para o Todo-poderoso"


(Richard Dawkins)

"Somos máquinas de sobrevivência – veículos robô programados cegamente para preservar as moléculas egoístas conhecidas como genes. Esta é uma verdade que ainda me enche de surpresa. Embora a conheça há anos, parece que nunca me acostumo completamente a ela. Um de meus desejos é ter algum sucesso em surpreender a outros"

Logo de início, Dawkins dá o tom de seu livro, dizendo que o escreveu tendo em mente três leitores imaginários sobre seu ombro: O leigo, o especialista e o estudante


"A Filosofia e as matérias conhecidas como "Humanidades" ainda são ensinadas quase como se Darwin
nunca houvesse existido. Sem dúvida, isto mudará com o tempo. De qualquer forma, este livro não pretende ser uma defesa geral do darwinismo. Em vez disto, ele explorará as conseqüências da teoria da evolução para uma questão específica. Meu propósito é examinar a biologia do egoísmo e do altruísmo."

"Não estou defendendo uma moralidade baseada na evolução. Estou dizendo como as coisas evoluíram."


"Minha própria impressão é que seria muito desagradável viver em uma sociedade humana baseada simplesmente na lei do gene de egoísmo implacável universal. Mas, infelizmente, não importa o quanto deploremos algo, este algo não deixa de ser verdadeiro"


"...se você desejar, como eu o desejo, construir uma sociedade na qual os indivíduos cooperem generosa e desinteressadamente para um bem comum, você poderá esperar pouca ajuda da natureza biológica..."


"...Tentemos ensinar generosidade e altruísmo, porque nascemos egoístas. Compreendamos o que nossos próprios genes egoístas tramam, porque assim, pelo menos, poderemos ter a chance de frustrar seus intentos, uma coisa que nenhuma outra espécie jamais aspirou fazer...."


"Em geral, os machos deveriam ter a tendência a serem mais promíscuos do que as fêmeas. Como a fêmea produz um número limitado de óvulos a uma velocidade relativamente baixa, ela tem pouco a ganhar em ter um grande número de copulações com machos diferentes. O macho, por outro lado, que pode produzir milhões de espermatozoides por dia, tem muito a ganharem ter tantos acasalamentos promíscuos quanto possa conseguir. Copulações em excesso poderão não custar muito, realmente, a uma fêmea, além de um pouco de tempo e energia desperdiçadas, mas não lhe dão nenhum benefício positivo.

Um macho, por outro lado, nunca terá tido copulações em número suficiente, sempre deverá procurar o maior número possível de fêmeas diferentes: a palavra excesso não tem significado para um macho."

"...A noção de fêmeas adiarem a copulação até que um macho mostre alguma evidência de fidelidade a longo prazo poderá soar familiar..."


"Quando uma mulher é descrita em uma conversa, provavelmente sua atratividade sexual, ou ausência dela, será proeminentemente mencionada; isto se dá seja o interlocutor um homem ou uma mulher. Quando um homem é descrito, os adjetivos usados provavelmente nada terão a ver com sexo."


"O que, afinal de contas, é tão especial a respeito dos genes? A resposta é que eles são replicadores"



Está dado o tom do livro. Com essas passagens do prólogo e do capítulo 1, podemos ver qual o grau de alcance das idéias, qual o grau de profundidade e poder de assuntos seminais como biologia, criação e evolução.

Dawkins cuidadosamente inicia se explicando, como que pedindo licença para invadir mentes conservadoras de incautos. Ele realmente não quer ser arrogante nem assustar ninguém. Bem diferente do estilo de seu futuro livro DEUS UM DELÍRIO, quando parece já não ter mais tanta paciência com a má vontade humana para aceitar algo tão básico.

Daí em diante, ele discorre sobre quem foram os REPLICADORES, sobre a "sobrevivência do mais apto", que ficaria melhor, como ele mesmo diz "sobrevivência do estável".

Entra em detalhes sobre as primeiras moléculas a se copiar, sobre os erros ao replicarem-se no caldo primitivo, a competição por elementos nutritivos, a formação da primeira célula, o início da seleção natural cumulativa, enfim a história do gene, do DNA. E por aí vai... sempre muito didático.

Lições importantes para todos os seres que querem entender o processo da evolução, o mais importante de nossas vidas. Quem não seria curioso? Como pode alguém não se interessar?

Idéias como "Fundo de Genes", "Comportamento Altruísta", "Máquina Gênica", "Investimento Parental", vão se clarificando em nossas mentes leigas, deixando tudo menos complexo.

Dawkins usa inúmeros exemplos comuns para explicar idéias aparentemente rebuscadas, mas que afinal são até fáceis de assimilar, tornando cada capítulo mais interessante que o outro.

É maravilhoso como diversos elementos da natureza que não entendíamos, passam logo a serem compreendidos, seja no mundo animal ou no nosso mundo social. Nunca mais olharemos a vida ao redor da mesma maneira...

Pelo menos comigo, reforçou em mim a atitude contemplativa, despertando ou acentuando sensibilidades sutis, que antes passavam despercebidas ao observar o mundo. Dá a maior vontade de escrever, traduzir tudo em música, sei lá! É a ciência estimulando os sentimentos, gerando poesia!


No capítulo 11, Dawkins introduz seu famoso conceito de MEME:

"...A transmissão cultural é análoga à transmissão genética no sentido de que embora seja basicamente conservadora, pode originar um tipo de evolução"


"O gene, a molécula de DNA, por acaso é a entidade replicadora mais comum em nosso planeta. Poderá haver outras. Se houver, desde que certas outras condições sejam satisfeitas, elas quase inevitavelmente tenderão a tornarem-se a base de um processo evolutivo"


"Mas temos que ir para mundos distantes a fim de encontrar outros tipos de replicadores e outros tipos resultantes de evolução? Acho que um novo tipo de replicador recentemente surgiu neste próprio planeta. Ele está nos encarando de frente. Ainda está em sua infância, vagueando desajeitadamente num caldo primordial, mas já está conseguindo uma mudança evolutiva a uma velocidade que deixa o velho gene muito atrás."


"O novo caldo é o caldo da cultura humana. Precisamos de um nome para o novo replicador, um substantivo que transmita a idéia de uma unidade de transmissão cultural, ou uma unidade de imitação. "Mimeme" provém de uma raiz grega adequada, mas quero um monossílabo que soe um pouco como "gene". Espero que meus amigos helenistas me perdoem se eu abreviar mimeme para meme. Se servir como consolo, pode-se, alternativamente, pensar que a palavra está relacionada a "memória", ou à palavra francesa même."


"Exemplos de memes são melodias, idéias, "slogans", modas do vestuário, maneiras de fazer potes ou de construir arcos. Da mesma forma como os genes se propagam no "fundo" pulando de corpo para corpo através dos espermatozoides ou dos óvulos, da mesma maneira os memes propagam-se no "fundo" de memes pulando de cérebro para cérebro por meio de um processo que pode ser chamado, no sentido amplo, de imitação"


"Quando você planta um meme fértil em minha mente, você literalmente parasita meu cérebro, transformando-o num veículo para a propagação do meme, exatamente como um vírus pode parasitar o mecanismo genético de uma célula hospedeira"


"Considere a ideia de Deus. Não sabemos como ela se originou no "fundo" de memes. Provavelmente originou-se muitas vezes por "mutação" independente. De qualquer forma, ela é realmente muito antiga. Como se replica? Pela palavra escrita e falada, auxiliada por música e arte estupendas."


"...se você contribui para a cultura mundial, se você tem uma boa ideia  compõe uma melodia, inventa uma vela de ignição ou escreve um poema, a ideia poderá sobreviver, intacta, muito tempo após seus genes terem se dissolvido no "fundo" comum. Sócrates poderá ter ou não genes vivos no mundo hoje, como G. C. Williams observou, mas quem se importa com isso? Os complexos de memes de Sócrates, Leonardo, Copérnico e Marconi ainda prosperam."


"...Somos construídos como máquinas gênicas e cultivados como máquinas mêmicas..."


Mas para mim, a frase mais marcante de todo o livro, a que causa mais impacto é:

"Talvez a consciência se origine quando a simulação que o cérebro faz do mundo se toma tão completa que precisa incluir um modelo de si mesma"

Leiam o livro! Na verdade, o assunto "pede" para ser lido em outros ótimos livros de Dawkins, como "O RELOJOEIRO CEGO" e "O RIO QUE SAIA DO ÉDEN", todos best-sellers mundiais.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

RESENHA: LIVRO - O RELOJOEIRO CEGO - Richard Dawkins


O RELOJOEIRO CEGO - BLIND WATCHMAKER
A teoria da evolução contra o desígnio divino
Richard Dawkins - 1986

SINOPSE:Um livro importante para quem quer entender melhor os argumentos prós e contras a Teoria da Evolução, única aceita pela ciência para explicar a origem e evolução das espécies na terra.

A teoria de Charles Darwin, de tão poderosa e completa, e hoje totalmente confirmada, mais de uma vez e inclusive pela ciência genética, veio "salvar" muitos ateus, já que agora, indubitavelmente eles têem um argumento "palpável" contra o desígnio divino, coisa que antes ficava somente no disse-me-disse filosófico.

Conforme vemos numa passagem:
Antes de Darwin, um ateu poderia ter afirmado, pautando-se em Hume: "Não tenho explicação para a complexidade do design dos seres vivos. Tudo o que sei é que Deus não é uma boa explicação, portanto devemos aguardar e esperar que alguém avente algo melhor"

O livro é recheado de exemplos práticos, que ajudam à compreensão das idéias mais rebuscadas, onde Dawkins esbanja de analogias interessantes e esclarecedoras.

Não é um livro técnico, e o leitor comum não terá dificuldades de sair dessa imersão como um biólogo evolucionista honorário.

O estrago às religiões é inevitável, já que não dá para ao mesmo tempo considerar as duas hipóteses como verdadeiras. É uma questão de escolha decidir-se por realidade ou ilusão.

Aliás, eu não entendo biólogo religioso, ou padres que alegam terem "estudado" biologia, além de teologia. NÃO TEM NADA A VER... e nada se pode fazer quanto a isso. Fica o mistério... de Darwin para Freud.

Adorei toda a parte sobre a eco-localização dos morcegos e de outros animais, que também desenvolveram paralelamente poder parecido, graças às mesmas condições de escuridão e consequente impedimento de usar a visão por luz. Interessantíssimo mesmo!

O livro entra em detalhes do desenvolvimento dos olhos, onde a explicação darwiniana satisfaz a todos os aspectos, em detrimento de qualquer outra teoria.

Algumas passagens que me chamaram a atenção.

"...A seleção natural é o relojoeiro cego, cego porque não prevê, não planeja conseqüências, não tem propósito em vista. Mas os resultados vivos da seleção natural nos deixam pasmos porque parecem ter sido estruturados por um relojoeiro magistral, dando uma ilusão de desígnio e planejamento. O propósito deste livro é resolver esse paradoxo de modo satisfatório para o leitor..."

"...Como um órgão tão complexo poderia ter evoluído?" Isso não é um argumento, é apenas uma expressão de incredulidade. A meu ver, essa incredulidade intuitiva que tende a existir em todos nós em se tratando do que Darwin denominou órgãos de extrema perfeição e complexidade tem duas razões. Primeiramente, não somos capazes de uma apreensão intuitiva do vasto tempo à disposição da mudança evolutiva. Muitos céticos a respeito da seleção natural estão dispostos a aceitar que ela é capaz de introduzir pequenas mudanças, como a cor escura que evoluiu em várias espécies de mariposas a partir da revolução Industrial..."

É mágico entendermos que depois que as paredes e chaminés escureceram com a fuligem do carvão produzida pela revolução industrial, a seleção natural, apesar de uma ajuda artificial, eliminou as mariposas de cor clara, simplesmente porque elas não mais conseguiam se esconder de seus predadores, deixando o domínio para as de cor escura. É ASSIM QUE A EVOLUÇÃO FUNCIONA, MINHA GENTE! E tudo isso num tempo curtíssimo! Imaginem essas forças agindo em BILHÕES DE ANOS?

Dawkins nos relata suas "brincadeiras" com um programa que ele mesmo desenvolveu para simular a aleatoriedade das mutações e o consequente impacto nas gerações futuras de seu mundinho virtual, imprimindo interessantes formas evoluídas, os biomorfos, numa parábola do que acontece em escala muito maior.

Mais adiante, temos interessante citação de Darwin: (em A origem das espécies)

"Se fosse possível demonstrar que existiu algum órgão complexo que não poderia absolutamente ter sido formado por numerosas e sucessivas modificações pequenas, minha teoria cairia por terra."

E continuando com Dawkins:

"Cento e vinte e cinco anos depois, sabemos muito mais a respeito dos animais e plantas do que Darwin sabia, e ainda assim não conheço um único caso de um órgão complexo que não pudesse ter sido formado senão por numerosas e sucessivas modificações pequenas"


Sexo e altruísmo, Feedback positivo, Puntuacionismo, taxonomia, cladismo, neutralismo, mutacionismo, teoria lamarckiana, criacionismo... Darwin nos leva a todos os raciocínios, nos deixando realmente familiarizados com o que há de pertinente para o melhor entendimento da realidade.

Ficamos cônscios que a única explicação para a vida na terra não é nada mais que a replicação com mutação aleatória cumulativa no decorrer de bastante tempo.

Ficamos com a verdadeira noção do tempo abismal que leva para que todo o processo seja possível, para que, por exemplo, um (quase perfeito) olho seja formado, esvaindo-se de vez, para o leitor incauto, qualquer idéia de criação pronta.

Nas palavras de Dawkins:

"Domesticar" o acaso significa dividir o muito improvável em pequenos componentes menos improváveis organizados em séries.

Não importa quanto seja improvável que um X possa ter surgido de um Y em um único passo, sempre é possível conceber uma série de intermediários infinitesimalmente graduados entre eles.

Por mais improvável que uma mudança em grande escala possa ser, mudanças menores são menos improváveis.

E, contanto que postulemos uma série grande o bastante de intermediários em uma graduação suficientemente pequena, seremos capazes de derivar qualquer coisa de qualquer outra coisa, sem invocar improbabilidades astronômicas.

Temos permissão para fazer isso somente se houver decorrido tempo suficiente para encaixar todos os intermediários.

E também somente se houver um mecanismo para guiar cada passo em alguma direção especifica; caso contrario, a seqüência de passos se extraviará numa interminável caminhada aleatória."
A RAZÃO ESPERA POR VOCÊ!

Quem é contra a teoria da evolução, é porque não a entendeu, e geralmente acha logo que ela se baseia em que "é tudo aleatório", o que não é verdade.

Quem não se interessar em entendê-la, estará condenado a pensar errado para sempre.

LEIAM!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

RESENHA: LIVRO - O RIO QUE SAÍA DO ÉDEN - Richard Dawkins


O RIO QUE SAIA DO ÉDEN - RIVER OUT OF EDEN

Richard Dawkins - 1995

SINOPSE:
Um livro indispensável para quem quer entender biologia, com diversas explicações sobre temas da evolução, com aquele estilo límpido e inspirador, característico de Richard Dawkins.

Muito instrutivo, o livro é para todo aquele que quer entender um pouco sobre da mais poderosa, porém ao mesmo tempo, simples teoria científica: A teoria da evolução e suas ramificações e impacto na compreensão da origem da vida.

Eu adoro o primeiro capítulo, O Rio Digital, que nos mostra como os organismos transmitem suas melhores característica para as novas gerações, porém, sem mérito, já que as experiências adquiridas não ficam registrada nos genes, e vemos claramente que apenas as micro mutações acidentais é que realmente passam adiante.

O que é difícil de conceber é que MILHÕES e MILHÕES de gerações são necessárias para que as espécies evoluam.

Nossa mente não evoluiu para entender facilmente isso, já que só nos são familiares escalas de poucos anos.

É mágico sabermos que a vida cresceu na sopa primordial, graças aos seus componentes, mas que agora, esse mar primordial ESTÁ DENTRO DE NÓS, como se nossas células fosse um tipo de aquário.

O rio referido, é o rio de DNA, mas é um rio que corre através do TEMPO e não do ESPAÇO, "é um rio de informação, não um rio de ossos e tecidos..."

"A informação passa pelos corpos e os afeta, mas não é afetada por eles em sua passagem"

São frases iluminadas, repletas de insights para o leitor: "Os genes sobrevivem através dos tempos apenas se forem bons em
construir corpos que são bons para viver e reproduzir-se da maneira particular de viver escolhida pela espécie"

É interessante demais entender que os genes trabalham dentro de seu rio, que na verdade é uma espécie. Ou seja: 

Cada espécie é um rio isolado de genes.

Outra coisa que aprendi nesse livro é que GEOLOGIA é a grande influência da mudança de uma espécie em outras.

E é simples! Se alguma espécie forma um grupo e migra para longe de seu grupo original, e não mais se cruza, devido a distância, rio ou montanha, ou mesmo uma separação de continentes, as inevitáveis mutações em cada divisão celular necessariamente criarão espécies novas, bastando para isso a passagem de tempo suficiente.

Dá vertigem saber que hoje em dia existam uns 30 milhões de braços do rio digital, que é esse aproximadamente o número de espécies existentes na terra.

E isso é apenas um por cento das que já existiram desde o início. O que nos ensina que a grande maioria das espécies se extinguem!

É a maior viagem, imaginarmos retrocedendo em nosso rio de Homo-Sapiens, recuando aos poucos nos tributários do grande rio de Mamíferos, vertebrados, invertebrados, etc... ATÉ O REPLICADOR PRIMORDIAL, e apreciar a majestosa ideia de que homens, macacos, gatos, lagostas, lesmas, vírus e capim, SOMOS TODOS PARENTES, DESCENDENTES DE UM MESMO AVÔ DE BILHÕES DE ANOS ATRÁS!!!

A idéia é arrebatadora! Quem crê em Adão e Eva precisa urgentemente ler mais! Se informar evolui!

Tem um capítulo dedicado à grande pesquisa que causou a descoberta da "Eva Primordial", nossa ancestral comum. 

Muito interessante, outro sobre os pequeníssimos passos da evolução, mas que cobrem distâncias enormes, devido ao longo tempo de processo,  outro sobre a função de utilidade de Deus, muito bom também. É nesse capítulo que podemos ler a ótima frase "O ADN não sabe e nem se importa. O ADN apenas é. E nós dançamos de acordo com a sua música"

No último capítulo, A BOMBA DE REPLICAÇÃO, Dawkins nos explica a idéia dos limiares, dos níveis iniciais aos finais da marcha da evolução.

Mostra como aquela pequena partícula replicante pode influenciar enfim outros mundos, logo, outros replicantes.

Uma viagem...

Limiar 1:
O replicante capaz de reproduzir-se com erros aleatórios ocasionais, disputando recursos entre si.

Limiar 2:
O fenótipo - Alterações que garantem sua sobrevivência a longo prazo.

Limiar 3:
Equipe de replicantes - Pequeno oceano local de produtos químicos em que uma equipe de genes está mergulhada.

Limiar 4:
Multicelular - Possibilita fenótipos mais complexos e eficientes, ou seja, partes melhores.

Limiar 5:
Processamento de informação em alta velocidade - Neurônios, sistema nervoso, cérebro...

Limiar 6:
Consciência formada

Limiar 7:
Criação da comunicação pela criação da linguagem

Limiar 8:
Proliferação da tecnologia cooperativa.

Limiar 9:
Criação do rádio - Causa impacto além do planeta, detectando-se uns aos outros...

Limiar 10:
Viagem espacial - Possibilidade de contato com outras bombas de replicação...

LEIAM!