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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

RESENHAS: LIVRO - O COSMO DE EINSTEIN - MICHIO KAKU


O COSMO DE EINSTEIN - MICHIO KAKU

O físico escritor Michio Kaku está se tornando um dos escritores que mais tenho frequentado ultimamente.

Isso porquê eu PRECISO me atualizar com uma dos meus assuntos favoritos, que é a física.

Não é uma matéria que eu toparia me especializar, devido ao seu gigantesco escopo e complexidade, mas eu sempre fui um apaixonado "desses assuntos".

Aliás, não sei como as pessoas não podem se interessar "num assunto" que simplesmente abarca o todo, e explica dentro das possibilidades atuais, toda a terra, todo o universo, enfim, o seu porvir e destino. E ISSO É OU NÃO É DEMAIS???? Só posso amar!

Cresci lendo artigos científicos de jornais, em busca dos detalhes mais instigantes do cosmo.
Qual foi a nossa origem?
Houve mesmo uma grande explosão inicial?
O que é o "Big Bang"?
Sempre existiu algo ou houve um evento criador?
Se houve algum, o que criou o evento criador?
Como nasceu o sol e os planetas?
Para onde iremos, qual o nosso fim?
O que são as dimensões?
Existe viagens para trás no tempo?

E por aí vai...

Devorei as revistas CIÊNCIA ILUSTRADA, SUPERINTERESSANTE, e outras tantas que tocavam no maravilhoso assunto.

Li livros do ISAAC ASIMOV que impulsionaram minha curiosidade pela física, principalmente "O INÍCIO E O FIM", onde o genial cientista nos mostrava as possibilidades de origem e fim do universo. Li várias vezes... saborosíssimo!

Depois de alguns livros sobre Einstein e a física, e mais os best sellers do Stephen Hawking, como O UNIVERSO NUMA CASCA DE NOZ, conheci os livros do MICHIO KAKU.

Nesse O COSMO DE EINSTEIN, temos detalhes de três momentos da vida do físico mais famoso do mundo.

Logo no índice vemos as fases exploradas:

PARTE 1: PRIMEIRO QUADRO - APOSTANDO CORRIDA COM UM RAIO DE LUZ
1-A FÍSICA ANTES DE EINSTEIN
2-OS ANOS INICIAIS
3-RELATIVIDADE RESTRITA E O "ANO MILAGROSO"

PARTE 2: SEGUNDO QUADRO - ESPAÇO-TEMPO DEFORMADO
4-RELATIVIDADE GERAL E O "PENSAMENTO MAIS FELIZ DA MINHA VIDA"
5-O NOVO COPÉRNICO
6-O BIG-BANG E OS BURACOS NEGROS

PARTE 3: O QUADRO INACABADO - A TEORIA DO CAMPO UNIFICADO
7-UNIFICAÇÃO E O DESAFIO QUÂNTICO
8-GUERRA, PAZ E E=mc2
9-O LEGADO PROFÉTICO DE EINSTEIN

Michio pesquisou muito nas origens, nos brindando com detalhes interessantes da vida de Einstein.

Ficamos conhecendo melhor sua personalidade "sacana", e imaginando suas tiradas espirituosas e aquele permanente "sorrisinho safado" que ele manteve até a velhice. Sorrisinho esse que lembra muito o do ator Bruce Willis, da série Duro de Matar, mas no caso do Einstein está mais para Duro de Entender...
EINSTEIN: "DURO DE ENTENDER"
Sua simplicidade era total: tratava reis e serviçais da mesma maneira piadista.

Conhecemos sua preocupação com a paz e seu sonho com um governo mundial, que dificultaria as grandes guerras.

Acompanhamos em detalhes a formação de suas principais idéias e princípios físicos, como se inspirou e seu sofrimento pela labuta mental, a qual nem imaginamos.

Sim, pois normalmente achamos que os gênios  fazem tudo facilmente, e Michio nos mostra um Einstein que até mesmo fica doente depois de se digladiar com algumas idéias dificílimas.

Michio nos relata a infância de Einstein, desmistificando que ele não era um bom aluno, por exemplo. Ele era sim, mas apenas das matérias mais interessantes.

O que "estragou" sua fama para a posteridade foi que teve professor que o detestava pelo seu desprezo pelas suas aulas.

Mas Einstein não era retardado, ele apenas viajava em sua poderosa mente.

É engraçado ver a previsão de um diretor da escola após o pai de Einstein perguntar qual profissão ele deveria seguir. 

Ele simplesmente disse "Não faz diferença; ele nunca terá sucesso em nada" PUUUTZZZZ!
 Vemos também que Einsten levou o judaísmo a sério, e se dedicou integralmente a religião, chegando mesmo a compor hinos de louvor a Deus.

Felizmente, percebendo o contraste com a ciência que vinha estudando, Einstein larga furiosamente a religião, e passa a considerar como resquício apenas a concepção panteísta de Deus. O Deu de Spinoza, que ensinava que A NATUREZA ERA DEUS, dizendo resumidamente.

Nessa época, um estudante polonês de medicina chamado MAX TALMUD presenteou Einstein com um livro de geometria que com certeza o influenciou para sempre.

Einstein fala sobre o assunto:

"Aos doze anos, experimentei um segundo assombro de natureza totalmente diferente: num pequeno livro com a geometria plana euclidiana". Ele o chamou de "livro de geometria sagrado", que tratou como sua nova Bíblia."

O MUNDO SALVO POR UM LIVRO, he he he

O livro nos mostra seus casamentos e amores, sua luta para sobreviver trabalhando, suas separações, o sofrimento do  distanciamento dos filhos, a inveja e incompreensão mesmo de outros colegas cientistas, a perseguição do nazismo, etc...

Assim, acompanhamos o crescimento de um dos maiores gênios da humanidade.

Gênio esse que mesmo depois de 50, 60, 70 anos, suas teorias vão sendo comprovadas por legiões de embevecidos físicos, que cresceram conhecendo o bom velhinho como uma espécie de entidade divina que tanto previu e tanto acertou.

Durante a leitura do livro, eu feliz da vida, me atualizei em alguns pontos da física que já não sabia como andava hoje em dia.

Viagens no tempo, ONZE dimensões, Energia Escura, Matéria Negativa, Expansão do Universo, Buracos Negros, Buracos de Minhoca, Teoria das Cordas e Supercordas, Teoria M (das Membranas), etc etc etc.

O autor faz questão de mostrar também, ao final do livro, as impressionantes confirmações que diversos testes e cálculos atuais fizeram de coisas que Einstein disse na década de 10 e 20, e a quantas andam as tentativas de completar o sonho de Einstein: A TEORIA DO CAMPO UNIFICADO, também conhecida como "A TEORIA DE TUDO".

Para mostrar um pouco do teor do texto do livro, segue abaixo um dos trechos que achei bastante interessante:

"Na teoria das cordas, se alguém tivesse um super microscópio e pudesse perscrutar diretamente o interior de um elétron, não descobriria uma partícula puntiforme, e sim uma corda em vibração.
Quando a supercorda vibra num modo ou nota diferente, muda para uma partícula subatômica diferente, como um fóton ou um neutrino.
Nesse modelo, as partículas subatômicas que vemos na natureza podem ser consideradas como a oitava mais baixa da supercorda. 
Desse modo, o dilúvio de partículas subatômicas descobertas ao longo das décadas nada mais são que notas nessa supercorda.
As leis da química, que parecem tão confusas e arbitrárias, são as melodias tocadas em supercordas.
próprio universo é uma sinfonia de cordas. E as leis da física não passam de harmonias da supercorda.
A teoria das supercordas também consegue englobar todo o trabalho de Einstein em relatividade.
Ao se mover no espaço-tempo, a corda força o espaço circundante a se curvar, exatamente como Einstein previu em 1905" !!!!!!

... e só para arrematar:

"Como observou o físico Edward Witten, ainda que Einstein jamais tivesse descoberto a teoria da relatividade geral, ela acabaria sendo descoberta por meio da teoria das cordas."


Para quem não é físico, mas aprecia bastante o assunto com eu, ler esse livro é uma das melhores maneiras de ficar em dia com a matéria.

Aliás, outros livros do Michio Kaku são recomendados. Eu pretendo ler agora A FÍSICA DO FUTURO, que já vi que recomendam bastante.

NOTA 10

terça-feira, 29 de outubro de 2013

RESENHA: LIVRO - 1942 - O BRASIL E SUA GUERRA QUASE DESCONHECIDA

CAPA DO LIVRO

1942 - O BRASIL E SUA GUERRA QUASE DESCONHECIDA

SINOPSE:
De tanto ver seu pai, veterano da FEB, evitar falar no assunto, João Barone, mais conhecido como o baterista da banda de rock PARALAMAS DO SUCESSO, sempre procurou ler mais e mais sobre a segunda guerra mundial e principalmente sobre a participação do Brasil nos combates na Itália.

Desse interesse e acúmulo de conhecimentos, ele escreveu seu primeiro livro, A MINHA SEGUNDA GUERRA, bastante elogiado, o qual ainda resenharei, e agora, nesse segundo livro ele faz praticamente um resumo da segunda grande guerra mundial, com o enfoque brasileiro. 

Bastante abrangente e recheado de curiosidades, Barone faz uma explanação em ordem cronológica, dividindo o livro em capítulos redondinhos, passando pelos ataques a navios brasileiros, os acordos com os americanos, a preparação das tropas, as decisões do então Presidente Vargas, algumas polêmicas, como os milhares de homens levados covardemente à escravidão para coletar látex nas florestas, onde a maioria morreu ou desapareceu, entre outras arbitrariedades típicas de um ditador.

Dentre as arbitrariedades, Barone nos conta da estarrecedora proibição de que depois de voltar para casa, os pracinhas não podiam usar/mostrar as medalhas recebidas e nem mesmo contar suas histórias aqui no Brasil.

Se Vargas pudesse, puxava uma alavanca e apagava toda a história dos heróis brasileiros, pois não achava que o povo podia venerá-los.

Barone faz uma boa descrição do Teatro de Operações onde os combates aconteceram, e divulga muitos detalhes, alguns pouco conhecidos até então, das missões dos nossos pracinhas, seus atos heroicos e como derrotaram os soldados nazistas, em épicos combates, onde tudo estava contra os brasileiros, principalmente o clima geladíssimo de inverno, o qual somente fez aumentar o sofrimento de nossos caboclos tropicais.
JOÃO BARONE TAMBÉM É VETERANO, SÓ QUE DO MUNDO DA MÚSICA

Barone fez uma excelente pesquisa, coletando informações de veteranos, recheados de detalhes curiosíssimos, agora eternizados no livro: O nascimento da FEB, as origens do Senta a Pua!, as batalhas aéreas brasileiras, as grandes ações brasileiras na guerra, a fatídica tomada de Monte Castelo e Montese, os efeitos pós-guerra para os brasileiros, o nascimento da ONU  estatísticas de missões, mortos, etc...

Recomendo o livro para todos que querem ter um panorama de todo o grande conflito, e quais foram os impactos para os brasileiros.

Como bem diz no livro, é uma parte importante da nossa história, que de início o governo Vargas tentou apagar, mas que as novas gerações precisam e merecem saber.

Nota 10

Para ler somente postagens referente a Segunda Guerra, (WW2), clique aqui embaixo ao lado de "MARCADORES" em "WW2

terça-feira, 17 de setembro de 2013

RESENHA: LIVRO O GENE EGOISTA - RICHARD DAWKINS


O GENE EGOÍSTA - THE SELFISH GENE
Richard Dawkins - 1976

SINOPSE:
É um livro sobre ciências biológicas, em termos simples, para aquela pessoa intrigada com assuntos sobre evolução e comportamento.

O autor vai ao âmago da questão de maneira clara e sem rodeios, e com propriedade nos brinda com horas de leitura deliciosa, e extremamente instrutiva.


(Início do prólogo pelo fundador da Sociobiologia, Robert Trivers)
"O chimpanzé e os seres humanos compartilham cerca de 99,5 por cento de sua história evolutiva, no entanto a maioria dos pensadores humanos considera o chimpanzé uma excentricidade malformada e irrelevante, enquanto se vêem a si próprios como degraus para o Todo-poderoso"


(Richard Dawkins)

"Somos máquinas de sobrevivência – veículos robô programados cegamente para preservar as moléculas egoístas conhecidas como genes. Esta é uma verdade que ainda me enche de surpresa. Embora a conheça há anos, parece que nunca me acostumo completamente a ela. Um de meus desejos é ter algum sucesso em surpreender a outros"

Logo de início, Dawkins dá o tom de seu livro, dizendo que o escreveu tendo em mente três leitores imaginários sobre seu ombro: O leigo, o especialista e o estudante


"A Filosofia e as matérias conhecidas como "Humanidades" ainda são ensinadas quase como se Darwin
nunca houvesse existido. Sem dúvida, isto mudará com o tempo. De qualquer forma, este livro não pretende ser uma defesa geral do darwinismo. Em vez disto, ele explorará as conseqüências da teoria da evolução para uma questão específica. Meu propósito é examinar a biologia do egoísmo e do altruísmo."

"Não estou defendendo uma moralidade baseada na evolução. Estou dizendo como as coisas evoluíram."


"Minha própria impressão é que seria muito desagradável viver em uma sociedade humana baseada simplesmente na lei do gene de egoísmo implacável universal. Mas, infelizmente, não importa o quanto deploremos algo, este algo não deixa de ser verdadeiro"


"...se você desejar, como eu o desejo, construir uma sociedade na qual os indivíduos cooperem generosa e desinteressadamente para um bem comum, você poderá esperar pouca ajuda da natureza biológica..."


"...Tentemos ensinar generosidade e altruísmo, porque nascemos egoístas. Compreendamos o que nossos próprios genes egoístas tramam, porque assim, pelo menos, poderemos ter a chance de frustrar seus intentos, uma coisa que nenhuma outra espécie jamais aspirou fazer...."


"Em geral, os machos deveriam ter a tendência a serem mais promíscuos do que as fêmeas. Como a fêmea produz um número limitado de óvulos a uma velocidade relativamente baixa, ela tem pouco a ganhar em ter um grande número de copulações com machos diferentes. O macho, por outro lado, que pode produzir milhões de espermatozoides por dia, tem muito a ganharem ter tantos acasalamentos promíscuos quanto possa conseguir. Copulações em excesso poderão não custar muito, realmente, a uma fêmea, além de um pouco de tempo e energia desperdiçadas, mas não lhe dão nenhum benefício positivo.

Um macho, por outro lado, nunca terá tido copulações em número suficiente, sempre deverá procurar o maior número possível de fêmeas diferentes: a palavra excesso não tem significado para um macho."

"...A noção de fêmeas adiarem a copulação até que um macho mostre alguma evidência de fidelidade a longo prazo poderá soar familiar..."


"Quando uma mulher é descrita em uma conversa, provavelmente sua atratividade sexual, ou ausência dela, será proeminentemente mencionada; isto se dá seja o interlocutor um homem ou uma mulher. Quando um homem é descrito, os adjetivos usados provavelmente nada terão a ver com sexo."


"O que, afinal de contas, é tão especial a respeito dos genes? A resposta é que eles são replicadores"



Está dado o tom do livro. Com essas passagens do prólogo e do capítulo 1, podemos ver qual o grau de alcance das idéias, qual o grau de profundidade e poder de assuntos seminais como biologia, criação e evolução.

Dawkins cuidadosamente inicia se explicando, como que pedindo licença para invadir mentes conservadoras de incautos. Ele realmente não quer ser arrogante nem assustar ninguém. Bem diferente do estilo de seu futuro livro DEUS UM DELÍRIO, quando parece já não ter mais tanta paciência com a má vontade humana para aceitar algo tão básico.

Daí em diante, ele discorre sobre quem foram os REPLICADORES, sobre a "sobrevivência do mais apto", que ficaria melhor, como ele mesmo diz "sobrevivência do estável".

Entra em detalhes sobre as primeiras moléculas a se copiar, sobre os erros ao replicarem-se no caldo primitivo, a competição por elementos nutritivos, a formação da primeira célula, o início da seleção natural cumulativa, enfim a história do gene, do DNA. E por aí vai... sempre muito didático.

Lições importantes para todos os seres que querem entender o processo da evolução, o mais importante de nossas vidas. Quem não seria curioso? Como pode alguém não se interessar?

Idéias como "Fundo de Genes", "Comportamento Altruísta", "Máquina Gênica", "Investimento Parental", vão se clarificando em nossas mentes leigas, deixando tudo menos complexo.

Dawkins usa inúmeros exemplos comuns para explicar idéias aparentemente rebuscadas, mas que afinal são até fáceis de assimilar, tornando cada capítulo mais interessante que o outro.

É maravilhoso como diversos elementos da natureza que não entendíamos, passam logo a serem compreendidos, seja no mundo animal ou no nosso mundo social. Nunca mais olharemos a vida ao redor da mesma maneira...

Pelo menos comigo, reforçou em mim a atitude contemplativa, despertando ou acentuando sensibilidades sutis, que antes passavam despercebidas ao observar o mundo. Dá a maior vontade de escrever, traduzir tudo em música, sei lá! É a ciência estimulando os sentimentos, gerando poesia!


No capítulo 11, Dawkins introduz seu famoso conceito de MEME:

"...A transmissão cultural é análoga à transmissão genética no sentido de que embora seja basicamente conservadora, pode originar um tipo de evolução"


"O gene, a molécula de DNA, por acaso é a entidade replicadora mais comum em nosso planeta. Poderá haver outras. Se houver, desde que certas outras condições sejam satisfeitas, elas quase inevitavelmente tenderão a tornarem-se a base de um processo evolutivo"


"Mas temos que ir para mundos distantes a fim de encontrar outros tipos de replicadores e outros tipos resultantes de evolução? Acho que um novo tipo de replicador recentemente surgiu neste próprio planeta. Ele está nos encarando de frente. Ainda está em sua infância, vagueando desajeitadamente num caldo primordial, mas já está conseguindo uma mudança evolutiva a uma velocidade que deixa o velho gene muito atrás."


"O novo caldo é o caldo da cultura humana. Precisamos de um nome para o novo replicador, um substantivo que transmita a idéia de uma unidade de transmissão cultural, ou uma unidade de imitação. "Mimeme" provém de uma raiz grega adequada, mas quero um monossílabo que soe um pouco como "gene". Espero que meus amigos helenistas me perdoem se eu abreviar mimeme para meme. Se servir como consolo, pode-se, alternativamente, pensar que a palavra está relacionada a "memória", ou à palavra francesa même."


"Exemplos de memes são melodias, idéias, "slogans", modas do vestuário, maneiras de fazer potes ou de construir arcos. Da mesma forma como os genes se propagam no "fundo" pulando de corpo para corpo através dos espermatozoides ou dos óvulos, da mesma maneira os memes propagam-se no "fundo" de memes pulando de cérebro para cérebro por meio de um processo que pode ser chamado, no sentido amplo, de imitação"


"Quando você planta um meme fértil em minha mente, você literalmente parasita meu cérebro, transformando-o num veículo para a propagação do meme, exatamente como um vírus pode parasitar o mecanismo genético de uma célula hospedeira"


"Considere a ideia de Deus. Não sabemos como ela se originou no "fundo" de memes. Provavelmente originou-se muitas vezes por "mutação" independente. De qualquer forma, ela é realmente muito antiga. Como se replica? Pela palavra escrita e falada, auxiliada por música e arte estupendas."


"...se você contribui para a cultura mundial, se você tem uma boa ideia  compõe uma melodia, inventa uma vela de ignição ou escreve um poema, a ideia poderá sobreviver, intacta, muito tempo após seus genes terem se dissolvido no "fundo" comum. Sócrates poderá ter ou não genes vivos no mundo hoje, como G. C. Williams observou, mas quem se importa com isso? Os complexos de memes de Sócrates, Leonardo, Copérnico e Marconi ainda prosperam."


"...Somos construídos como máquinas gênicas e cultivados como máquinas mêmicas..."


Mas para mim, a frase mais marcante de todo o livro, a que causa mais impacto é:

"Talvez a consciência se origine quando a simulação que o cérebro faz do mundo se toma tão completa que precisa incluir um modelo de si mesma"

Leiam o livro! Na verdade, o assunto "pede" para ser lido em outros ótimos livros de Dawkins, como "O RELOJOEIRO CEGO" e "O RIO QUE SAIA DO ÉDEN", todos best-sellers mundiais.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

RESENHA: LIVRO - O RELOJOEIRO CEGO - Richard Dawkins


O RELOJOEIRO CEGO - BLIND WATCHMAKER
A teoria da evolução contra o desígnio divino
Richard Dawkins - 1986

SINOPSE:Um livro importante para quem quer entender melhor os argumentos prós e contras a Teoria da Evolução, única aceita pela ciência para explicar a origem e evolução das espécies na terra.

A teoria de Charles Darwin, de tão poderosa e completa, e hoje totalmente confirmada, mais de uma vez e inclusive pela ciência genética, veio "salvar" muitos ateus, já que agora, indubitavelmente eles têem um argumento "palpável" contra o desígnio divino, coisa que antes ficava somente no disse-me-disse filosófico.

Conforme vemos numa passagem:
Antes de Darwin, um ateu poderia ter afirmado, pautando-se em Hume: "Não tenho explicação para a complexidade do design dos seres vivos. Tudo o que sei é que Deus não é uma boa explicação, portanto devemos aguardar e esperar que alguém avente algo melhor"

O livro é recheado de exemplos práticos, que ajudam à compreensão das idéias mais rebuscadas, onde Dawkins esbanja de analogias interessantes e esclarecedoras.

Não é um livro técnico, e o leitor comum não terá dificuldades de sair dessa imersão como um biólogo evolucionista honorário.

O estrago às religiões é inevitável, já que não dá para ao mesmo tempo considerar as duas hipóteses como verdadeiras. É uma questão de escolha decidir-se por realidade ou ilusão.

Aliás, eu não entendo biólogo religioso, ou padres que alegam terem "estudado" biologia, além de teologia. NÃO TEM NADA A VER... e nada se pode fazer quanto a isso. Fica o mistério... de Darwin para Freud.

Adorei toda a parte sobre a eco-localização dos morcegos e de outros animais, que também desenvolveram paralelamente poder parecido, graças às mesmas condições de escuridão e consequente impedimento de usar a visão por luz. Interessantíssimo mesmo!

O livro entra em detalhes do desenvolvimento dos olhos, onde a explicação darwiniana satisfaz a todos os aspectos, em detrimento de qualquer outra teoria.

Algumas passagens que me chamaram a atenção.

"...A seleção natural é o relojoeiro cego, cego porque não prevê, não planeja conseqüências, não tem propósito em vista. Mas os resultados vivos da seleção natural nos deixam pasmos porque parecem ter sido estruturados por um relojoeiro magistral, dando uma ilusão de desígnio e planejamento. O propósito deste livro é resolver esse paradoxo de modo satisfatório para o leitor..."

"...Como um órgão tão complexo poderia ter evoluído?" Isso não é um argumento, é apenas uma expressão de incredulidade. A meu ver, essa incredulidade intuitiva que tende a existir em todos nós em se tratando do que Darwin denominou órgãos de extrema perfeição e complexidade tem duas razões. Primeiramente, não somos capazes de uma apreensão intuitiva do vasto tempo à disposição da mudança evolutiva. Muitos céticos a respeito da seleção natural estão dispostos a aceitar que ela é capaz de introduzir pequenas mudanças, como a cor escura que evoluiu em várias espécies de mariposas a partir da revolução Industrial..."

É mágico entendermos que depois que as paredes e chaminés escureceram com a fuligem do carvão produzida pela revolução industrial, a seleção natural, apesar de uma ajuda artificial, eliminou as mariposas de cor clara, simplesmente porque elas não mais conseguiam se esconder de seus predadores, deixando o domínio para as de cor escura. É ASSIM QUE A EVOLUÇÃO FUNCIONA, MINHA GENTE! E tudo isso num tempo curtíssimo! Imaginem essas forças agindo em BILHÕES DE ANOS?

Dawkins nos relata suas "brincadeiras" com um programa que ele mesmo desenvolveu para simular a aleatoriedade das mutações e o consequente impacto nas gerações futuras de seu mundinho virtual, imprimindo interessantes formas evoluídas, os biomorfos, numa parábola do que acontece em escala muito maior.

Mais adiante, temos interessante citação de Darwin: (em A origem das espécies)

"Se fosse possível demonstrar que existiu algum órgão complexo que não poderia absolutamente ter sido formado por numerosas e sucessivas modificações pequenas, minha teoria cairia por terra."

E continuando com Dawkins:

"Cento e vinte e cinco anos depois, sabemos muito mais a respeito dos animais e plantas do que Darwin sabia, e ainda assim não conheço um único caso de um órgão complexo que não pudesse ter sido formado senão por numerosas e sucessivas modificações pequenas"


Sexo e altruísmo, Feedback positivo, Puntuacionismo, taxonomia, cladismo, neutralismo, mutacionismo, teoria lamarckiana, criacionismo... Darwin nos leva a todos os raciocínios, nos deixando realmente familiarizados com o que há de pertinente para o melhor entendimento da realidade.

Ficamos cônscios que a única explicação para a vida na terra não é nada mais que a replicação com mutação aleatória cumulativa no decorrer de bastante tempo.

Ficamos com a verdadeira noção do tempo abismal que leva para que todo o processo seja possível, para que, por exemplo, um (quase perfeito) olho seja formado, esvaindo-se de vez, para o leitor incauto, qualquer idéia de criação pronta.

Nas palavras de Dawkins:

"Domesticar" o acaso significa dividir o muito improvável em pequenos componentes menos improváveis organizados em séries.

Não importa quanto seja improvável que um X possa ter surgido de um Y em um único passo, sempre é possível conceber uma série de intermediários infinitesimalmente graduados entre eles.

Por mais improvável que uma mudança em grande escala possa ser, mudanças menores são menos improváveis.

E, contanto que postulemos uma série grande o bastante de intermediários em uma graduação suficientemente pequena, seremos capazes de derivar qualquer coisa de qualquer outra coisa, sem invocar improbabilidades astronômicas.

Temos permissão para fazer isso somente se houver decorrido tempo suficiente para encaixar todos os intermediários.

E também somente se houver um mecanismo para guiar cada passo em alguma direção especifica; caso contrario, a seqüência de passos se extraviará numa interminável caminhada aleatória."
A RAZÃO ESPERA POR VOCÊ!

Quem é contra a teoria da evolução, é porque não a entendeu, e geralmente acha logo que ela se baseia em que "é tudo aleatório", o que não é verdade.

Quem não se interessar em entendê-la, estará condenado a pensar errado para sempre.

LEIAM!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

RESENHA: LIVRO - O RIO QUE SAÍA DO ÉDEN - Richard Dawkins


O RIO QUE SAIA DO ÉDEN - RIVER OUT OF EDEN

Richard Dawkins - 1995

SINOPSE:
Um livro indispensável para quem quer entender biologia, com diversas explicações sobre temas da evolução, com aquele estilo límpido e inspirador, característico de Richard Dawkins.

Muito instrutivo, o livro é para todo aquele que quer entender um pouco sobre da mais poderosa, porém ao mesmo tempo, simples teoria científica: A teoria da evolução e suas ramificações e impacto na compreensão da origem da vida.

Eu adoro o primeiro capítulo, O Rio Digital, que nos mostra como os organismos transmitem suas melhores característica para as novas gerações, porém, sem mérito, já que as experiências adquiridas não ficam registrada nos genes, e vemos claramente que apenas as micro mutações acidentais é que realmente passam adiante.

O que é difícil de conceber é que MILHÕES e MILHÕES de gerações são necessárias para que as espécies evoluam.

Nossa mente não evoluiu para entender facilmente isso, já que só nos são familiares escalas de poucos anos.

É mágico sabermos que a vida cresceu na sopa primordial, graças aos seus componentes, mas que agora, esse mar primordial ESTÁ DENTRO DE NÓS, como se nossas células fosse um tipo de aquário.

O rio referido, é o rio de DNA, mas é um rio que corre através do TEMPO e não do ESPAÇO, "é um rio de informação, não um rio de ossos e tecidos..."

"A informação passa pelos corpos e os afeta, mas não é afetada por eles em sua passagem"

São frases iluminadas, repletas de insights para o leitor: "Os genes sobrevivem através dos tempos apenas se forem bons em
construir corpos que são bons para viver e reproduzir-se da maneira particular de viver escolhida pela espécie"

É interessante demais entender que os genes trabalham dentro de seu rio, que na verdade é uma espécie. Ou seja: 

Cada espécie é um rio isolado de genes.

Outra coisa que aprendi nesse livro é que GEOLOGIA é a grande influência da mudança de uma espécie em outras.

E é simples! Se alguma espécie forma um grupo e migra para longe de seu grupo original, e não mais se cruza, devido a distância, rio ou montanha, ou mesmo uma separação de continentes, as inevitáveis mutações em cada divisão celular necessariamente criarão espécies novas, bastando para isso a passagem de tempo suficiente.

Dá vertigem saber que hoje em dia existam uns 30 milhões de braços do rio digital, que é esse aproximadamente o número de espécies existentes na terra.

E isso é apenas um por cento das que já existiram desde o início. O que nos ensina que a grande maioria das espécies se extinguem!

É a maior viagem, imaginarmos retrocedendo em nosso rio de Homo-Sapiens, recuando aos poucos nos tributários do grande rio de Mamíferos, vertebrados, invertebrados, etc... ATÉ O REPLICADOR PRIMORDIAL, e apreciar a majestosa ideia de que homens, macacos, gatos, lagostas, lesmas, vírus e capim, SOMOS TODOS PARENTES, DESCENDENTES DE UM MESMO AVÔ DE BILHÕES DE ANOS ATRÁS!!!

A idéia é arrebatadora! Quem crê em Adão e Eva precisa urgentemente ler mais! Se informar evolui!

Tem um capítulo dedicado à grande pesquisa que causou a descoberta da "Eva Primordial", nossa ancestral comum. 

Muito interessante, outro sobre os pequeníssimos passos da evolução, mas que cobrem distâncias enormes, devido ao longo tempo de processo,  outro sobre a função de utilidade de Deus, muito bom também. É nesse capítulo que podemos ler a ótima frase "O ADN não sabe e nem se importa. O ADN apenas é. E nós dançamos de acordo com a sua música"

No último capítulo, A BOMBA DE REPLICAÇÃO, Dawkins nos explica a idéia dos limiares, dos níveis iniciais aos finais da marcha da evolução.

Mostra como aquela pequena partícula replicante pode influenciar enfim outros mundos, logo, outros replicantes.

Uma viagem...

Limiar 1:
O replicante capaz de reproduzir-se com erros aleatórios ocasionais, disputando recursos entre si.

Limiar 2:
O fenótipo - Alterações que garantem sua sobrevivência a longo prazo.

Limiar 3:
Equipe de replicantes - Pequeno oceano local de produtos químicos em que uma equipe de genes está mergulhada.

Limiar 4:
Multicelular - Possibilita fenótipos mais complexos e eficientes, ou seja, partes melhores.

Limiar 5:
Processamento de informação em alta velocidade - Neurônios, sistema nervoso, cérebro...

Limiar 6:
Consciência formada

Limiar 7:
Criação da comunicação pela criação da linguagem

Limiar 8:
Proliferação da tecnologia cooperativa.

Limiar 9:
Criação do rádio - Causa impacto além do planeta, detectando-se uns aos outros...

Limiar 10:
Viagem espacial - Possibilidade de contato com outras bombas de replicação...

LEIAM!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

RESENHA: STEVE JOBS, GÊNIO E BABACA




Terminei de ler STEVE JOBS, A BIOGRAFIA, de WALTER ISAACSON, e gostei bastante.

Geralmente eu gosto de biografias, então até aí morreu neves... Mas essa é bastante fiel à realidade, e não foi feita para endeusar Jobs, muito pelo contrário. Aliás, é no próprio livro que lemos o termo "babaca", aplicável ao próprio. É provável que isso vá irritar alguns "Appholes" (Fãs babacas da Apple).

Eu sempre simpatizei tanto com Jobs quanto a Bill Gates, e não sou nenhum "Applefag" ou "Windowsfag", pois não vejo o mundo em preto e branco, portanto, gosto e uso tecnologias de ambas as empresas, e escrevo de maneira imparcial.

Resumindo, fica óbvio que o cara não era comum. Ele tinha um ímpeto tão poderoso, que nada poderia se interpor entre ele e seus objetivos. Sofriam mais os que fracassavam com ele.

Ele fez questão de ser um "self-made-man" que combina uma alma de grande artista e de grande empreendedor, sem paciência alguma com um "reles mortal". A religião dele era ele mesmo!

Mas ele não era um "Professor Pardal", que inventava tudo, meio McGyver, como eu pensava. Seu estilo está mais para um agregador de talentos, como um maestro a exigir o máximo desempenho de quem está ao seu redor.

Ele meio que encasquetava com uma idéia, um querer, e como um bebê birrento e mimado, queria porque queria que dessem um jeito. No final ele queria ver aquilo pronto.

Ele usava sua conhecida "realidade alterada" com coisas até então impossíveis, e no final, ele geralmente estava certo, sendo que no processo, praticamente torturava todos ao redor com sua determinação.

Assim, maravilhosos produtos quase mágicos, saíram do limbo para a realidade, deixando os mercados loucos, correndo atrás de suas inovações. E foi assim o Apple I, Apple II, Macintosh, I-Pod, I-Phone, I-Pad, etc...

Pela web afora, podemos ler sobre o perfil psicológico de Jobs em mais de um site.

Parece que o fato de ele ter sido adotado, criou nele um forte sentimento de rejeição por ter sido “abandonado”.

Não esconderam dele que seus pais eram outros, mas tem uma passagem quando criança, que ele conta que uma vez entrou em casa correndo e chorando quando uma menininha, ao saber que ele era adotado, exclamou:

- “Então isso significa que seus pais verdadeiros não queriam você?” (PUUUTZ!)

Seus pais adotivos precisaram apagar o incêndio, e ficaram repetindo com bastante ênfase:

- “Nós escolhemos especificamente você" (COITADO DO MOLEQUE!)

Como no livro diz: "Abandonado. Escolhido. Especial" (MARCAS INDELÉVEIS)

Ele ficou com uma enorme cicatriz em seu ser, que o pressionava, e isso provavelmente ajudou a gerar nele uma energia contrária que o motivou pra sempre.

Era como se ele quisesse mostrar a todos, que seus antigos pais não sabiam o que estavam perdendo ao não ficarem com ele. Ele no início, meio que montou sua vida para crescer e dar um gigantesco "BEM FEITO! VIU? SOU O MAIOR, E VOCÊS ME PERDERAM".

Claro que isso tudo a nível sub-inconsciente, e quando ficou adulto, essa poderosa impulsão se amalgamou em seu ser como sendo de sua natureza normal, que é o que normalmente ocorre a todos nós, pois é assim que nos formamos.

Isso explica porque ele era tão implacável, e atropelava a tudo e a todos sem piedade pela execução de suas idéias.

Vários entrevistados deram vários exemplos de como ele chegava mesmo a ser mau, ao espezinhar quem ele achava ser incompetente... O cara parecia não ter empatia por ninguém (ou era mau mesmo, apesar de genial)

Com certeza, o Steve Wozniac, o verdadeiro McGyver genial que bolou os primeiros Apple 1 e 2 (ele queria dar, mas Jobs o convenceu a vender, PODE?) que era um cara muito mais bacana, praticamente o outro lado da moeda de Jobs, se afastou da empresa para não ficar conivente com o estilo violento do arretado gênio.

Aliás, eu queria voltar a debater com alguns amigos meus, que anos atrás me detonavam por tentar explicar que o mundo não era preto e branco, e Jobs não era deus e Bill Gates não era o diabo.

Eu ouvi muito argumento assim:
-"Eu tenho ética, cara, então sou contra o Rwindows e a favor da Apple. Bill era safado, Steve era gênio e nunca roubou nada"

E eu dizia que era uma posição exagerada, e tal... muito simplista rotular assim e separar as coisas assim.

Agora, quem leu a biografia vai ver que Steve Jobs estava longe de ser santo, e que mesmo chegou a elogiar Bill Gates, para horror dos fanáticos.

É aquela história: Os fãs saem na pancada e suas celebridades não estão nem aí.

Essa biografia é leitura recomendadíssima para aqueles que querem conhecer os bastidores da informática, etc...

Eu terminei o livro com um sentimento empolgante. Em mim ficou um efeito inesperado, que me dá uma vontade danada de trabalhar naquelas condições de pressão e de criação, num grupo de ótimos profissionais, se reunindo e rachando a cuca para criar produtos revolucionários. DEVE SER O MÁXIMO!

Descanse em paz, magnífico rebelde, gênio, visionário, mau e de gosto apurado... O mundo precisa de muitos mais como você... porém em versão menos babaca.


Algumas Citações de Steve Jobs que gostei:
Minha paixão foi construir uma empresa duradoura, onde as pessoas se sentissem incentivadas a fabricar grandes produtos. Tudo o mais era secundário. Claro, foi ótimo ganhar dinheiro, porque era isso que nos permitia fazer grandes produtos. Mas os produtos, não o lucro, eram a motivação. Sculley inverteu essas prioridades, de modo que o objetivo passou a ser ganhar dinheiro. É uma diferença sutil, mas acaba significando tudo: as pessoas que são contratadas, quem é promovido, o que se discute nas reuniões.

Alguns dizem: “Dêem aos consumidores o que eles querem”. Não é assim que eu penso. Nossa tarefa é descobrir o que eles vão querer antes de quererem. Acho que Henry Ford disse certa vez: “Se eu perguntasse aos consumidores o que queriam, eles teriam dito: ‘Um cavalo mais rápido!’”. As pessoas não sabem o que querem até que a gente mostre a elas. É por isso que nunca recorro a pesquisas de mercado. Nossa tarefa é ler coisas que ainda não foram impressas.



Edwin Land, da Polaroid, falava sobre a interseção das humanidades com a ciência. Gosto dessa interseção. Há qualquer coisa de mágico aí.



Grandes artistas e grandes engenheiros são parecidos, no sentido de que ambos desejam expressar-se



É fácil atirar pedras na Microsoft. Eles claramente perderam o
domínio que tinham. Tornaram-se muito irrelevantes. Mas, apesar disso, sei valorizar o que fizeram, e como foi duro. Eram muito bons no lado comercial. Nunca foram ambiciosos no que diz respeito aos produtos, como deveriam ter sido. Bill gosta de se apresentar como homem de produtos, mas não é. Ele é homem de comércio. O sucesso comercial era mais importante do que fazer grandes produtos. Ele acabou se tornando o sujeito mais rico que existe e, se esse era seu objetivo, conseguiu o que queria. Mas nunca foi o meu, e tenho dúvida se, afinal, era o dele.

Admiro-o pela empresa que construiu — é impressionante — e gostei de trabalhar com ele. É um homem brilhante e tem um bom senso de humor.

Mas a Microsoft nunca teve as humanidades e as artes liberais em
seu dna. Mesmo quando viram o Mac, não conseguiram copiá-lo direito.

Simplesmente não entenderam.

(Edecildo: Isso porque a empresa Microsoft tinha uma visão "mais nerd", era uma empresa que queria que as coisas funcionassem, Já a Apple tinha uma visão artística, e para essa visão, somente funcionar era pouco. O design mandava mais.)



Não acho que eu gerencio espezinhando as pessoas, mas se algo não presta eu digo na cara. Minha tarefa é ser honesto. Sei do que estou falando e quase sempre tenho razão. Essa é a cultura que tentei criar.


Somos brutalmente honestos uns com os outros, e qualquer pessoa pode dizer que sou um grande merda e eu também posso dizer-lhe o mesmo.


Tivemos algumas discussões acaloradíssimas, em que berramos uns com os outros, e foram alguns dos melhores momentos que vivi. Sinto-me completamente à vontade para dizer: “Ron, essa loja está uma bosta” na frente de todo mundo. Ou posso dizer: “Minha nossa, nós realmente fizemos uma cagada com a engenharia disto aqui”, na frente da pessoa responsável.


É a condição para estar na sala: ter a capacidade de ser super honesto.


Não inventei a língua ou a matemática que uso. Preparo pouco da comida que como, e nenhuma das roupas que visto. Tudo
que faço depende de outros membros da nossa espécie e dos ombros sobre os quais ficamos em pé. E muitos de nós querem dar uma contribuição para nossa espécie também e acrescentar alguma coisa ao fluxo. Tem a ver com tentar expressar algo da única maneira que a maioria de nós é capaz de fazer — porque não somos capazes de escrever as canções de Bob Dylan, ou as peças de Tom Stoppard. Tentamos usar os talentos que temos para expressar nossos sentimentos profundos, para mostrar nosso apreço por todas as contribuições feitas antes de nós e para acrescentar algo ao fluxo. Foi isso que me motivou.

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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

LISTA: MEUS ÚLTIMOS LIVROS DE PAPEL

Resumirei a seguir, a última "remessa física" que comprei pela web e na última feira do livro aqui na minha cidade.

Já li todos esses até agora desde janeiro, nesse ano de 2012 até final de setembro:



OS ÚLTIMOS LIVROS DE PAPEL QUE EU LI... :cry:

01-A EXPEDIÇÃO SHACKLETON - Espetacular!!! Aqui vemos o quão longe pode resistir/chegar o espirito humano!


02-O DESCOBRIMENTO DAS ÍNDIAS (Diário de Vasco da Gama - Eduardo Bueno) - Uma viagem! Daria um superfilme de aventuras!

03-A COROA, A CRUZ E A ESPADA (Eduardo Bueno) - Esse daria uma longa minissérie aventuresca: Descobertas, canibalismo, corrupção, etc...

04-BIOGRAFIA DE STEPHEN HAWKING - Muito bom os detalhes da vida desse gênio...

05-A ESTRADA DO FUTURO - BILL GATES (1995) - Muito interessante ler depois de tanto tempo e mensurar/comparar as épocas. O cara é muito maneiro quando o "conhecemos de perto"

06-CARTAS DE GRACILIANO RAMOS - Uma viagem no tempo, onde conhecemos a vida cotidiana de Graciliano.

07-VIDAS SECAS (Graciliano Ramos) - Legal, mas quando parece que vai engrenar... ACABA!!!!

08-VERÍSSIMO:COMÉDIA DA VIDA PÚBLICA - As crônicas de um observador e comentador ferino de várias décadas.

09-DEUSES DA MITOLOGIA - Uma simples colagem de várias origens. Mas vale como "tudo-em-um" do assunto. Boas imagens.

10-MESTRES DA PINTURA - Dali

11-MESTRES DA PINTURA - Leonardo

12-MIL HISTÓRIAS SEM FIM - 2 volumes - (MALBA TAHAN) - Gostoso de ler, mas como somos enrolados com tanta ausência de finais!

13-NOITES NA TABERNA - MACÁRIO (ÁLVARES DE AZEVEDO) - É bom, mas prefiro suas poesias...

---X---

:babando:O MEU INÍCIO NA "ERA DOS LIVROS DIGITAIS" 
Agora, de posse de um Tablet de 10 polegadas, vou preparar o início de uma nova era de leituras...


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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

LISTA DE 10 LIVROS FAVORITOS (Que são 12)


01-A Interpretação dos Sonhos
Sigmund Freud
Primeiro uma viagem para o universo interior... Acho que todos devem conhecer os mecanismos da estrutura da mente. Depois de ler, nunca mais seremos os mesmos. UMA OLHADA POR DEBAIXO DE NOSSAS PRÓPRIAS CAMADAS...
02-A História da Filosofia
Will Durant
Que odisséia pelas idéias!!! Arrebatador! Conhecer a mente desses sábios nos encanta e emociona. Will Durant sozinho pode ensinar o principal da filosofia humana nesse resumo maravilhoso. Voltaire, Nietzshe, Shoppenhauer, Spinoza... EU PASSEI A AMAR ESSA GENTE.
03-O Mundo Assombrado Pelos Demômios
Carl Sagan
Agora uma viagem pela cegueira humana. Perto de sua morte, um pessimista Carl Sagan faz desfilar perante nossos incrédulos olhos o pior e o melhor da mente humana. Sua transbordante cultura e ponto de vista nos atingem em vários níveis, nos tornando mais conscientes do ser genial e animal que somos
04-Os Sertões
Euclides da Cunha
De tirar o fôlego! Talvez o melhor livro de aventuras que eu tenha lido. O pior é que é um relato fiel. Nenhum filme ou novela chegou a 1% da poderosa história da restistência e destruição de Canudos. Pena que o português seja dificílimo, tornando a maioria das pessoas distantes do livro.
05-A Volta do Gato Preto
Érico Veríssimo
Genial, divertido, genial, divertido, genial, divertido, genial... e por vai.
Simplesmente inesquecível a maneira como esse cara escreve o que aconteceu com ele enquanto morava nos Estados Unidos, no período em que ele dava aulas. Adorável os diálogos dele com ele mesmo. Para ler e reler.
06-Náufragos, Traficantes e Degredados
Eduardo Bueno
Nossas origens brasileiras. Simplesmente uma máquina do tempo é o que nos proprorciona o genialíssimo Eduardo Bueno. Nãopara parar de ler depois que começa.
Uma overdose de história cultural.
07-O Fogo Sagrado
Michael Collins
Uma epopéia emocionante! Praticamente o diário do primeiro pouso à lua. Um vislumbre do potencial do homem, encontrando paralelo nos feitos da ODISSÉIA.
08-Cosmos
Carl Sagan
Como o seriado dos anos 80, uma aula sobre nós e o universo que nos rodeia. Informação e diversão em linguagem poética. O texto genial de Carl Sagan emociona mais do que informa, e isso não é dizer pouco.
09-Grandes Exploradores
Seleções do Readers Digest
Nossa! Quase sem fôlego, quando acabei de ler, pareceu que tinha acabado de assistir uma maratona de uns 20 filmes de aventuras (Indiana Jones perde). Uma overdose de ação, história e adrenalina EM RELATOS REAIS, com boa documentação (datas, mapas, etc)
É um resumo da odisséia humana pelos pólos, pela lua, pelos desertos e mares nunca dantes navegados. UM ESPETÁCULO QUE VOU SEMPRE RELER ATÉ MORRER.
Para quem gosta de aventuras épicas.
10-O Fim da Infância
Arthur C. Clarke
Uma jóia, uma verdadeira obra prima do bom velhinho A.C.Clarke. Para muitos, seu melhor livro. É instigante o mistério que se abate sobre a humanidade na forma de visitantes alienígenas. Escrito nos anos 50 se não me engano, até hoje provoca impacto, apesar de copiado em filmes e seriados de cinema, mas sua sutileza ninguém captou ainda, a não ser Carl Sagan em Contato.
LINDO DE MORRER!!!! ASSUSTADOR E FILOSÓFICO.
11-2001, Uma Odisséia no Espaço
Arthur C. Clarke
O MAIS MAIS de todos os tempos, em termos de Ficção Científica. Uma obra imperdível que nos arrebata para o passado, para o futuro e para dento de nós mesmos. Simplesmente inenarrável. E isso vale para o filme.
12-Deus, Um Delírio
Richard Dawkins
Um livro que eu gostaria de ter escrito! Muito incisivo, e realmente nos convence porque devemos ser ateus.
O autor, apesar de declaradamente agressivo com o assunto, explica o porque de não ter de usar luvas de pelica. Ele argumenta com brilhantismo que não tem porque a religião se apropriar do verniz de respeitável e inquestionável. DEVEMOS SIM CRITICAR O QUE ELA TEM DE RUIM (Quase tudo afinal). Quem deu poder à religião de poder falar mal de tudo que não seja dela? INCRÍVEL QUE POR EXEMPLO EVANGÉLICOS JULGAM CATÓLICOS DESTINADOS AO INFERNO!!!!
Em saborosos capítulos que simplesmente NÃO DÁ PRA PARAR DE LER, chegamos no final imbuídos da verdade óbvia de que o homem só piorou quando adotou crendices como filosofia de vida, mas MUITO MAIS PARA APRESENTAR UM VERNIZ DE DECÊNCIA do que por filosofia mesmo.
TER MAIS DE 95% DE RELIGIOSOS ENTRE NÓS É UMA VERGONHA PARA UMA RAÇA DITA INTELIGENTE, porém, no horizonte vejo vestígios de perdão para essa massa, já que ninguém tem tanta culpa assim de ser “histérico”.

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